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22/12/2005 02:06
Re-postando
National Geographic
Sempre evitei cultivar sentimentos ruins. Raiva, especialmente. Porque raiva tem rebote. Atinge mais quem a sente do que seu próprio alvo. Mas pra essa erva daninha, tenho sido terreno fértil. É natural. Pro inferno com a tal racionalidade. Não somos mais que bichos. Experimente pisar no rabo de um cachorro ou gato, por mais doméstico que seja. Por mais manso que seja. É isso. O instinto. Cravar as garras ou presas na carne do agressor. Ver o susto, o sangue, a contração do músculo, o grito. Sua própria dor refletida em olhos cheios de lágrimas. Justiça, talvez. Analgésico, quem sabe.
Legítima defesa. Qualquer tribunal me absolveria.
enviada por *V@ness@*
12/03/2005 15:47
Serviço de manutenção informa: se algum ser perdido na imensidão da net porventura cair aqui, e quiser ler mais bobagens, acesse o link abaixo (do meu novo blog), e boa sorte. Abraços!
enviada por *V@ness@*
20/09/2004 01:11
Viajando pra outras bandas...
Até que enfim arrumei um servidor decente pra isso aqui! Bom, não sei se decente seria a palavra certa, mas pelo menos um que me permita alterar o template.
A partir de agora, estou "viajando" no Weblogger:
http://viagemnaideia.weblogger.terra.com.br/
Este blog aqui vai continuar vivo, claro, para registro e eventuais saudades. Beijos a todos!
enviada por *V@ness@*
18/09/2004 00:56
A você
Certa vez você me disse não saber escrever. Eu te digo, na verdade, que escreve sem saber. Já escrevia antes mesmo de segurar o primeiro lápis entre os dedos miúdos, em dias há muito deixados para trás. Aquela criança desajeitada, juntando B com A, já tinha em seu currículo uma boa conta de páginas, antes que se tornassem sílabas seus rabiscos infantis.
Somos todos escritores, há tanto tempo quanto os anos que contamos em nossas idades. Autores, roteiristas, espectadores e protagonistas de nossa própria peça particular. Drama, comédia, aventura, ficção, policial, romance. Suas escolhas preenchem as linhas no gênero de sua vontade. A cada projeto sonhado, a cada oi, tudo bem?, a cada sim e a cada não, escrevemos nossos versos sem rima, a invisível poesia cotidiana.
Então não se preocupe se seus sentimentos não encontram morada numa carga de caneta. O bem e o mal que te fazem humano já se registram diariamente no grande livro imaterial. Para ter (e para ser) inspiração basta, somente, inspirar.
Relaxe. Você já nasceu sabendo escrever.
enviada por *V@ness@*
11/09/2004 04:33
Mas eu me mordo de ciúme...
Eu não sou ciumenta. E ponto. Nunca vacilei em dizer isso em alto e bom som pra quem quer que fosse, até porque sou uma das poucas pessoas que tem esse privilégio. Não sou ciumenta porque costumo ter muita segurança no afeto das pessoas. Sempre tive vários amigos, sempre gostei quando novas pessoas se juntavam à turma, achei o máximo ganhar um irmão. Só que colocar isso como norma de vida me fez bloquear algumas manifestações totalmente... humanas! E eu me sentia culpada cada vez que o bichinho do ciúme vinha me dar suas (raras) mordidas.
De uns tempos pra cá, com o aperfeiçoamento das minhas técnicas de auto-análise, comecei a admitir que sim, eu sou como todo mundo, e tenho meus ciuminhos de vez em quando. Parte da tática consiste em dizer claramente às pessoas Eu estou com ciúme., mesmo àquelas que não têm nada a ver com o fato e são obrigadas a escutar histórias imensas para entender o motivo do desabafo repentino.
Então, leitores do blog, venho a público dizer (na verdade mais pra mim mesma do que pra qualquer um que esteja lendo) que SIM, EU ESTOU COM CIÚME! Estou despeitadíssima por ter sido excluída de um programa em grupo do qual queria muito participar. Estou com raiva dos supostos amigos (que não são meus melhores amigos, mas têm sido muito presentes nos últimos tempos) que me deixaram de fora dessa. Estou com vontade de evitá-los, e em parte me sentindo uma boba. Boba por sentir ciúme, boba por achar que eles teriam alguma obrigação de me incluir, e mais boba ainda por postar isso no blog. Mas pelo menos sei que com o tempo vai passar, e falar me deixa mais aliviada. Afinal, ser dublê de psicólogo (e de graça) é uma das grandes utilidades disso aqui.
enviada por *V@ness@*
19/08/2004 01:23
Sois pó, e ao pó retornarás
Hoje me encantei novamente com a dança da poeira no facho de luz. Foram minutos olhando os movimentos de um micro-espetáculo aparentemente banal. Partículas errantes na imensidão, como somos todos. Representação e metáfora num palco de sol. A poeira irrita as donas-de-casa quando se acumula sobre os móveis. Irrita os alérgicos ao entrar nas narinas. Ela se faz perceber porque incomoda, abala o pré-estabelecido. Ou porque dança num facho de luz.
Estou me aprimorando na ciência dos detalhes. Abrir os olhos requer mais dedicação que muitos teoremas. É, porém, mais recompensador do que grandes batalhas. Afinal a felicidade não reside em inalcançáveis utopias. Nessa longa viagem rumo ao desconhecido, só o que temos em mãos são as horas que passamos no caminho.
Por isso passo o tempo a admirar o dia-a-dia. O nascimento e a morte. O lento suicídio da rotina. O vento na grama e no rosto. Os poetas do asfalto, ocultos pelo deus Dinheiro que os leva a passear em coleiras-gravatas. E o balé da poeira nos raios de sol.
O tédio só existe para quem não sabe ver.
enviada por *V@ness@*
30/07/2004 03:31
Palhaço do circo sem futuro (plagiando o título do CD do Cordel)
E comeeeeeça a corrida eleitoral! Todo segundo semestre de ano par é a mesma coisa: horário reservado no rádio e na TV, santinhos e promessas. Sem esquecer, é claro, os incansáveis carros de som. Esses passam o dia martelando em nossas cabeças aqueles jingles de candidato que grudam mais que chiclete em sola de sapato. A musiquinha não tem muitas variações: é sempre composta de uma melodia fácil e feliz + qualquer combinação das palavras progresso, confiança, trabalho, seriedade, competência, e, principalmente, mudança.
Essa última é, de longe, a favorita dos aspirantes ao governo, justamente por ser a que tem mais apelo junto ao povão. Afinal, quem não quer mudar pra melhor? Pensando nisso, os candidatos (além dos vendedores de Toto-bola e Azulzinha, que também adoram a tal palavra) prometem mundos e fundos. Se realizassem metade do que dizem, as igrejas ficariam vazias, ninguém mais ia querer ir pro céu. O mundo seria praticamente uma Pasárgada, um lugar utópico. Salário decente pra todo mundo, saúde e educação garantidas, lazer... Tudo por obra e graça do fulano que exibe o lindo rostinho na urna eletrônica.
Um certo político já está afetando meus nervos com um carro de som que passa em frente à minha casa umas 20 vezes por dia entoando as frases Varginha agora tem um amigo / com ele nossa vida vai mudar. Eu, no lugar dele, sentiria vergonha (ainda mais sendo um homem religioso, supostamente comprometido com a verdade). Não precisa ser muito gênio pra saber que só colocar o indivíduo na Câmara não garante mudança alguma. Se os outros não quiserem (e geralmente não querem), nada acontece. Mas parece que o povo gosta mesmo de ser enganado, de sustentar uma esperança por algo que não depende da cara que está na frente do governo, e sim de todo um sistema por trás.
E pra não dizer que não falei dos partidos... que droga é essa afinal? Porque o óbvio seria: eu penso X, então vou me juntar com os outros que pensam X e formar um partido X; os que pensam Y se juntam no partido Y e assim por diante. Mas ah, quem liga pra essa bobagem de idéia? O negócio é se eleger num partido e pular pra outro de acordo com a conveniência. Fazer o eleitor de bobo? Não, imagina...
Dessa vez não vou assinar embaixo dessa palhaçada toda. Pode ser que nas próximas eleições eu tenha outra visão das coisas, afinal sou mesmo do time que prefere ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Mas não esse ano, pelo menos. Vou me limitar a assistir na Globo a cobertura da grande festa da democracia. Da nossa grande democracia pra inglês ou melhor, pra americano ver.
PS: pensando bem, acho que o mundo já é uma Pasárgada. Afinal, quem é amigo do rei (ou seja, quem tem QI) já tem tudo aquilo mesmo.
enviada por *V@ness@*
23/07/2004 03:39
Eu sou uma menina esquisita
Vim ao mundo uns 20 dias antes do previsto pelos médicos. Deve ser por essa pressa que, ao me mandar pra viagem no bico da cegonha, Papai do Céu se esqueceu de enviar alguns volumes da minha enciclopédia Como ser menina. Porque tem algumas coisas de menina que simplesmente não entram na minha cabeça.
Primeiro de tudo, eu não sei fazer joguinho, o popularmente conhecido cu-doce. Aquela história de estar louca pra ficar com um cara e, quando ele finalmente chega, dar um fora pra ele ficar mais a fim. Ah, qué isso! Se quer, quer. Se não quer, não quer. E vamos parar de fingimento!
Bom, não fingir é uma coisa... demonstrar é outra totalmente diferente. Além de não saber fazer joguinho, eu também não sei paquerar. É sério! Sou uma jeca nesses assuntos, o avesso do modelo charmosa e sensual. Quando estou afim de alguém, parece que meus braços e pernas crescem, amolecem e se descontrolam. Esbarro em tudo, tropeço, derrubo coisas. Os olhos, quando não focam um ponto no infinito, ficam rodeando, olhando pra qualquer lado, menos pro sujeito. Um desastre.
Desastroso também é o meu desempenho em cima do salto, esse item tão feminino. Não consigo compreender como um ser humano se equilibra (e anda) em cima daqueles modelos agulha de 10 centímetros. Pior é quando o sapato ainda tem aquele bico fino de matar barata em canto de parede. Será que essas pessoas perderam a sensibilidade dos dedinhos?
Às vezes me sinto meio por fora, meio bobona, sei lá. Mas no fundo até gosto do meu jeito de ser. Afinal, nunca gostei muito de padrões mesmo. Vou seguindo desse jeito meio esquisitinho, mas profundamente meu.
...
2000 visitas! Isso significa uma boa quantidade de malucos dispostos a ler as viagens desta menina esquisita. É, tem quem goste! E um dia vou vencer a preguiça e mudar esse blog de endereço com um layout decente. :-)
enviada por *V@ness@*
10/07/2004 05:04
Meu nome é Museu
No meu tempo é que era bom... Começa assim o ápice do discurso daqueles que ainda não descobriram que águas passadas não movem moinho. Com o gosto da nostalgia escorrendo na boca, introduzem com a citada frase uma série de evocações às bem-aventuranças de um glorioso passado do qual tiveram a sorte de fazer parte.
É preciso dizer que o antigamente funciona mais como referência espacial do que temporal, já que para alguns pode significar décadas e, para outros, meses. Em todos os casos, porém, remete-se a um lugar quase mítico eternizado no tempo. Naquela época, os jovens lutavam por seus direitos, os filhos obedeciam aos pais, o namoro era uma maravilha e até transgredir certas regras era um fato meio romanceado.
Já o mundo de hoje está de cabeça pra baixo. Os ideais não têm a mesma força, as pessoas são fúteis e alienadas. Isso sem contar que a carruagem das Cinderelas modernas só vira abóbora ao raiar do dia. À meia noite, elas ainda nem colocaram o sapatinho de cristal para sair de casa.
Por trás desse apego exagerado ao que já foi, se esconde uma imensa insegurança com relação ao presente. Resistência ao novo, dificuldade de adaptação. O passado é um terreno seguro de se pisar. Afinal, ele não volta mesmo, não há a menor chance de mudar. O presente, sim, está em nossas mãos. E a responsabilidade de construi-lo com nossas escolhas dá um medo danado.
Buscar refúgio nas folhas antigas do calendário é coisa de velho? É! Não daqueles que já podem andar de ônibus sem pagar, mas dos que não são suficientemente flexíveis para lidar com as mudanças que o tempo lhes apresenta. Conheço jovens que já passaram dos 60, e velhos na casa dos 20. Idade é, acima de tudo, um estado de espírito.
enviada por *V@ness@*
02/07/2004 00:08
Conto de fraldas
Hoje eu comprei fraldas. Pela primeira vez na vida, entrei no supermercado e acomodei na cestinha, entre uma barra de chocolate e uma lata de atum, um pacote de fraldas descartáveis. E, sem perceber, no caminho entre a prateleira e o caixa, vivi um momento de transição: passei a fazer parte do time das pessoas que compram fraldas. Afinal, para alguém que, como eu, não tem irmãos pequenos e mora longe dos priminhos, o ato de comprar fraldas pode ser altamente simbólico.
Minha estréia na aquisição do tal produto teve como causa outro fato inédito: pela primeira vez, uma colega de sala promove um chá de bebê. Com isso, além de compradora de fraldas, passei a ser também uma pessoa que freqüenta chás de bebê (com convites endereçados a mim mesma, e não à minha mãe). E este mundo novo traz consigo uma série de conhecimentos até então inimagináveis. Aprendi, por exemplo, que a Pampers custa os olhos da cara porque é a única que não provoca alergia no bumbunzinho do neném. É o que dizem, pelo menos.
A verdade disso tudo, como cantou Cazuza, é que o tempo não pára. E meus conhecidos já estão começando a entrar na fase casar e ter filhos (não necessariamente nessa mesma ordem). Aquela cesta no supermercado ficou para mim como um retrato dos vinte e poucos anos: a busca de soluções e satisfações rápidas, aliada ao doce sabor das pequenas transgressões da juventude, dividindo espaço com o incipiente horizonte de uma vida mais séria. Pouco a pouco, dia a dia, adentramos o obscuro terreno da chamada vida adulta.
Talvez um dia eu me preocupe com a gasolina do carro, a cotação da bolsa, a janta por fazer, a escola das crianças. Talvez eu me torne uma pessoa mais organizada, pontual, segura, centrada. Alguém com casa própria, rendimento fixo, e família pra cuidar.
Enfim, uma pessoa que compra fraldas.
...
Ou não.
enviada por *V@ness@*
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