*ViAgEm Na IdÉiA*

02/07/2004 00:08
Conto de fraldas

Hoje eu comprei fraldas. Pela primeira vez na vida, entrei no supermercado e acomodei na cestinha, entre uma barra de chocolate e uma lata de atum, um pacote de fraldas descartáveis. E, sem perceber, no caminho entre a prateleira e o caixa, vivi um momento de transição: passei a fazer parte do time das pessoas que compram fraldas. Afinal, para alguém que, como eu, não tem irmãos pequenos e mora longe dos priminhos, o ato de comprar fraldas pode ser altamente simbólico.
Minha estréia na aquisição do tal produto teve como causa outro fato inédito: pela primeira vez, uma colega de sala promove um chá de bebê. Com isso, além de compradora de fraldas, passei a ser também uma pessoa que freqüenta chás de bebê (com convites endereçados a mim mesma, e não à minha mãe). E este mundo novo traz consigo uma série de conhecimentos até então inimagináveis. Aprendi, por exemplo, que a Pampers custa os olhos da cara porque é a única que não provoca alergia no bumbunzinho do neném. É o que dizem, pelo menos.
A verdade disso tudo, como cantou Cazuza, é que o tempo não pára. E meus conhecidos já estão começando a entrar na fase “casar e ter filhos” (não necessariamente nessa mesma ordem). Aquela cesta no supermercado ficou para mim como um retrato dos “vinte e poucos anos”: a busca de soluções e satisfações rápidas, aliada ao doce sabor das pequenas transgressões da juventude, dividindo espaço com o incipiente horizonte de uma vida mais “séria”. Pouco a pouco, dia a dia, adentramos o obscuro terreno da chamada “vida adulta”.
Talvez um dia eu me preocupe com a gasolina do carro, a cotação da bolsa, a janta por fazer, a escola das crianças. Talvez eu me torne uma pessoa mais organizada, pontual, segura, centrada. Alguém com casa própria, rendimento fixo, e família pra cuidar.
Enfim, uma pessoa que compra fraldas.
...
Ou não.

enviada por *V@ness@*






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