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10/07/2004 05:04
Meu nome é Museu
No meu tempo é que era bom... Começa assim o ápice do discurso daqueles que ainda não descobriram que águas passadas não movem moinho. Com o gosto da nostalgia escorrendo na boca, introduzem com a citada frase uma série de evocações às bem-aventuranças de um glorioso passado do qual tiveram a sorte de fazer parte.
É preciso dizer que o antigamente funciona mais como referência espacial do que temporal, já que para alguns pode significar décadas e, para outros, meses. Em todos os casos, porém, remete-se a um lugar quase mítico eternizado no tempo. Naquela época, os jovens lutavam por seus direitos, os filhos obedeciam aos pais, o namoro era uma maravilha e até transgredir certas regras era um fato meio romanceado.
Já o mundo de hoje está de cabeça pra baixo. Os ideais não têm a mesma força, as pessoas são fúteis e alienadas. Isso sem contar que a carruagem das Cinderelas modernas só vira abóbora ao raiar do dia. À meia noite, elas ainda nem colocaram o sapatinho de cristal para sair de casa.
Por trás desse apego exagerado ao que já foi, se esconde uma imensa insegurança com relação ao presente. Resistência ao novo, dificuldade de adaptação. O passado é um terreno seguro de se pisar. Afinal, ele não volta mesmo, não há a menor chance de mudar. O presente, sim, está em nossas mãos. E a responsabilidade de construi-lo com nossas escolhas dá um medo danado.
Buscar refúgio nas folhas antigas do calendário é coisa de velho? É! Não daqueles que já podem andar de ônibus sem pagar, mas dos que não são suficientemente flexíveis para lidar com as mudanças que o tempo lhes apresenta. Conheço jovens que já passaram dos 60, e velhos na casa dos 20. Idade é, acima de tudo, um estado de espírito.
enviada por *V@ness@*
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