|
30/07/2004 03:31
Palhaço do circo sem futuro (plagiando o título do CD do Cordel)
E comeeeeeça a corrida eleitoral! Todo segundo semestre de ano par é a mesma coisa: horário reservado no rádio e na TV, santinhos e promessas. Sem esquecer, é claro, os incansáveis carros de som. Esses passam o dia martelando em nossas cabeças aqueles jingles de candidato que grudam mais que chiclete em sola de sapato. A musiquinha não tem muitas variações: é sempre composta de uma melodia fácil e feliz + qualquer combinação das palavras progresso, confiança, trabalho, seriedade, competência, e, principalmente, mudança.
Essa última é, de longe, a favorita dos aspirantes ao governo, justamente por ser a que tem mais apelo junto ao povão. Afinal, quem não quer mudar pra melhor? Pensando nisso, os candidatos (além dos vendedores de Toto-bola e Azulzinha, que também adoram a tal palavra) prometem mundos e fundos. Se realizassem metade do que dizem, as igrejas ficariam vazias, ninguém mais ia querer ir pro céu. O mundo seria praticamente uma Pasárgada, um lugar utópico. Salário decente pra todo mundo, saúde e educação garantidas, lazer... Tudo por obra e graça do fulano que exibe o lindo rostinho na urna eletrônica.
Um certo político já está afetando meus nervos com um carro de som que passa em frente à minha casa umas 20 vezes por dia entoando as frases Varginha agora tem um amigo / com ele nossa vida vai mudar. Eu, no lugar dele, sentiria vergonha (ainda mais sendo um homem religioso, supostamente comprometido com a verdade). Não precisa ser muito gênio pra saber que só colocar o indivíduo na Câmara não garante mudança alguma. Se os outros não quiserem (e geralmente não querem), nada acontece. Mas parece que o povo gosta mesmo de ser enganado, de sustentar uma esperança por algo que não depende da cara que está na frente do governo, e sim de todo um sistema por trás.
E pra não dizer que não falei dos partidos... que droga é essa afinal? Porque o óbvio seria: eu penso X, então vou me juntar com os outros que pensam X e formar um partido X; os que pensam Y se juntam no partido Y e assim por diante. Mas ah, quem liga pra essa bobagem de idéia? O negócio é se eleger num partido e pular pra outro de acordo com a conveniência. Fazer o eleitor de bobo? Não, imagina...
Dessa vez não vou assinar embaixo dessa palhaçada toda. Pode ser que nas próximas eleições eu tenha outra visão das coisas, afinal sou mesmo do time que prefere ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Mas não esse ano, pelo menos. Vou me limitar a assistir na Globo a cobertura da grande festa da democracia. Da nossa grande democracia pra inglês ou melhor, pra americano ver.
PS: pensando bem, acho que o mundo já é uma Pasárgada. Afinal, quem é amigo do rei (ou seja, quem tem QI) já tem tudo aquilo mesmo.
enviada por *V@ness@*
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|