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19/08/2004 01:23
Sois pó, e ao pó retornarás
Hoje me encantei novamente com a dança da poeira no facho de luz. Foram minutos olhando os movimentos de um micro-espetáculo aparentemente banal. Partículas errantes na imensidão, como somos todos. Representação e metáfora num palco de sol. A poeira irrita as donas-de-casa quando se acumula sobre os móveis. Irrita os alérgicos ao entrar nas narinas. Ela se faz perceber porque incomoda, abala o pré-estabelecido. Ou porque dança num facho de luz.
Estou me aprimorando na ciência dos detalhes. Abrir os olhos requer mais dedicação que muitos teoremas. É, porém, mais recompensador do que grandes batalhas. Afinal a felicidade não reside em inalcançáveis utopias. Nessa longa viagem rumo ao desconhecido, só o que temos em mãos são as horas que passamos no caminho.
Por isso passo o tempo a admirar o dia-a-dia. O nascimento e a morte. O lento suicídio da rotina. O vento na grama e no rosto. Os poetas do asfalto, ocultos pelo deus Dinheiro que os leva a passear em coleiras-gravatas. E o balé da poeira nos raios de sol.
O tédio só existe para quem não sabe ver.
enviada por *V@ness@*
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